sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Uma carta aberta para os editores e diretores de filmes de ação



Simon Brew, um cinéfilo norte-americano, começou uma campanha pelo retorno dos filmes de ação onde você realmente consegue ver o que está acontecendo.

Aqui está a tradução livre de sua carta:

Olá,

Eu sou apenas um espectador. Eu junto meu dinheiro, vejo filmes, compro DVDs, e então eu fico falando sobre eles até meus amigos decidirem que é hora de sairem e achar novos amigos.

E eu acredito apaixonadamente que há poucos prazeres relaxantes na vida que se comparam a um bom, sólido filme de ação.

Durante minha vida, eu fui mimado por uma abundância de filmes de ação que eu assisto, reassisto e assisto de novo. Duro de Matar, Aliens, Mandando Bala, Con Air, Armageddon, Adrenalina, Tropas Estrelares, Trilogia Bourne, Missão: Impossível, Cassino Royale - Eu poderia, literalmente nomear filmes até a eternidade. Pergunte para os meus ex-amigos.

Entretanto, recentemente, uma tendência vem crescendo, que me parece, um pouco de loucura na edição dos filmes.

Eu notei isso primeiramente, ou mais obviamente, no filme Transformers, do Michael Bay (e eu digo isso como alguém que gosta de muitos de seus filmes). Este foi talvez o primeiro filme que eu já vi que me fez sentir velho. Por que enquanto os efeitos eram incríveis, a construção era boa e ver máquinas gigantes quebrando o pau entre si é algo encantador, chegou num ponto onde eu não tinha idéia do que estava acontecendo. É real: nenhuma!

De tão rápida que era a montagem, e tão próximos os planos, que por grande parte do tempo eu me senti vendo flashes de cores passando, como se eu estivesse submetido uma experiência glorificada de teste de visão. Eu entendo que teorias de edição de filmes frequentemente aponta algo como "quando foi a última vez que você viu um filme que era tão rápido?", mas se alguém está perguntando essa questão, eu gostaria de levantar minha mão agora mesmo.

Não me entenda mal: edição de filme exige grande habilidade e filmes de ação tem sempre utilizado de cortes rápidos para expressar a energia e o momento. Eu não tenho problemas com isso. Eu não estou sendo um reclamão também, desses que gostam de dizer como eram os filmes dos bons velhos tempos. Cinema de ação evolui e segue adiante e tivemos grandes lucros com essa evolução recentemente.

Eu também entendo que às vezes o efeito de corte muito, muito rápido pode trazer, sucessivamente a idéia de uma briga rápida e brutal, como em Batman Begins e a Trilogia Bourne. Esses filmes, para mim, trazem a noção de que que você não deve ver tudo que está acontecendo porque eles são lutadores rápidos, brutais e nervosos. Mas pelo menos eles nos dão uma pista e uma idéia do que está acontecendo. Há o equilíbrio entre cortes rápidos e planos fechados te tratando como a audiência merece.

E então eu me deparo com algo como "Quantum of Solace" (um filme que quer tanto ser uma sequencia de Bourne que ta ficando ridículo, mas isso é assunto pra outra conversa). A sequência inicial de Quantum é tão ridicularmente rápida, sem justificativa aparente, que de novo, eu me senti como se não devesse (ou não pudesse) entender o que estava acontecendo. Não é o único exemplo recente. Um crítico de Carga Explosiva 3 notou a decisão de "editar as lutas para uma confusão incompreensível de luzes e efeitos sonoros". Eu não vi Carga Explosiva 3, mas como um devoto de filmes de ação, eu entendo de onde ele tirou isso.

Então se isso, então, é a mais nova tendência dos filems de ação de Hollywood, posso agora pedir por favor para isso parar, em favor de dar ao espectador uma chance de ver o que está acontecendo?

Não há nada de errado não ser um filme do Bourne, e é absolutamente normal acreditar que você não tem que bombardear a audiência repetidamente para empurrar a mensagem que seu filme é rápido e furioso. Eu reassisti Duro de Matar recentemente e enquanto ele corta rápido, a excitação da sua ação está logo ali na frente da lente da câmera, e o corte preciso nos dá ampla oportunidade de curtir tudo. Isso sem nunca o filme perder controle ou energia.

Eu escrevo isso como um grande fã de cinema de ação e eu vou continuar a ser. E mais, eu vou continuar a juntar meu dinheiro e sem dúvida comprar outras cópias de muitos de meus filmes de ação favoritos quando chegarem em alta definição. E vou ansiosamente ver os trailers do próximos extravagantes filmes de ação ali esquina.

Eu apenas peço para as pessoas que fazem filmes, que vocês façam uma coisa por mim: POR FAVOR, ME DÊEM PELO MENOS UMA CHANCE DE VER O QUE ESTÁ ACONTENCEDO!
Muito obrigado pelo seu tempo.

Sinceramente,

Simon Brew



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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sidney Lumet, o homem que não quer parar.


Em 1998, quando alardeei minha família dizendo que queria estudar cinema, ganhei de natal de minha vó um livro chamado "Fazendo Cinema", do Sidney Lumet. Ele abriu minha cabeça para uma porção de coisas, hoje óbvias para mim mas na época surpreendentes sobre os bastidores da indústria, as relações pessoais num set de filmagem e como funciona idealmente uma equipe de filmagem. Lumet foi então meu primeiro contato com a literatura sobre cinema. Comecei, além de estudar mais a fundo sobre cinema, a ver os filmes desse velhinho simpático que acabaram entrando na minha lista de favoritos, como "Um dia de cão", "Rede de Intrigas", "12 Homens e uma sentença", "Assassinato no Expresso Oriente" entre alguns outros.

Escrevo sobre ele agora não por ele ter falecido (ufa), mas por ter me surpreendido mais uma vez com sua carreira.

Em 2005 ele recebeu o Oscar Honorário pela sua obra (prêmio concedido muitas vezes àqueles diretores que todo mundo gosta e que nunca ganharam nada da Academia). Lembro no discurso quando ele agradeceu a honra e reclamou que ele não está aposentado, que poderiam esperar um pouco pois ele tinha o que fazer ainda. Ele tinha 81 anos. Todos deram risadas simpáticas como se fosse uma piada de discurso. E até porque sua carreira estagnou em qualidade em 1982, com "O veredicto". Mas não é que o garotão estava certo?

Ontem assisti "Antes que o Diabo saiba, você está morto"



Filmaço.

Direção elegante, claustrofóbica, interpretações vicerais, filmado em digital mas tão bem fotografado que quase sempre passa despercebido.

O roteiro foge dos clichês dos filmes de roubo e traz um realismo perturbador. Enquanto a maioria dos filmes desse gênero apelam para reviravlotas à la Mamet, "Antes que o diabo Saiba..." empurra os personagens ladeira a baixo e vem uma sucessão de desgraças. Daí flashback mostram outros ângulos da história e conhecemos mais os personagens. Só que eles continuam a se ferrar. Chega um ponto em que não estamos mais torcendo por ninguém. Não temos nenhum personagem agradável o qual queremos que tenha sucesso. Nos identificamos com todos os seus defeitos e por isso queremos certa distância. Parece que o filme não sabe como deve terminar e então aparece o personagem menos filho da puta e tem seu momento de redenção catártica, mas que também o levará para o inferno.

Levaram uns 25 anos para Lumet acertar a mão de novo. Tomara que continue acertando assim por muito tempo.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

TOP 5 filmes de comida

Vi essa lista no Spout em homenagem ao thanksgiving e resolvi fazer a minha também. Comida é um tema (trocadalhos à parte) apetitoso no cinema. Bem que podiam adaptar "O clube dos anjos", do Verissimo, para as telas, hein? Aqui vai então 5 filmes, sem pensar muito e sem justificar pois a fome me dá preguiça.

1 - Ratatouille



2 - Tampopo, os bravos também comem spaghetti



3 - Delicatessen



4 - O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante



5 - A marvada carne

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Remake de Old Boy



É mais uma notícia de obituário. Ninguém morreu, ainda, mas se o Spielberg realmente quer fazer um remake do Old Boy com o Will Smith no papel de Oh Dae-Su, quem pode morrer é a credibilidade artística dele, que depois do respiro de sua credibilidade com o excelente Munique, estuprou Indiana Jones (segundo o South Park), vai dirigir o "Tintin" (não sei mesmo o que esperar) e depois pode emplacar esse arriscado remake do cult coreano.

Se bem que Munique é outro filme complexo sobre vingança e sobre suas consequências. O tema não é problema. A questão é toda a viôlência gráfica-psicológica que ainda não cairia nas graças do público em geral.

Já pensou se ao invés do martelo do personagem, teremos um walkie-talkie?
Ao invés de hipnose, abdução alienígena?
A cena da briga no corredor em computação gráfica?
A trilha épica de John Williams entupindo os momentos de tensão?
Sem incesto, sem língua cortada, dentes arrancados, sem polvo vivo goela abaixo...
Sem graça.

O Nicholas Cage anteriormente queria bancar um remake com ele estrelando. Dele sim, poderia esperar qualquer coisa. É até emocionante acompanhar a sua carreira. Ele erra de forma absurda e patética em alumas escolhas de roteiro. Mas quando acerta emplaca filmes cult ou sucessos de bilheteria. Já Will Smith não. Ele não arrisca, faz filmes família e se garante assim. Tomara que se o remake acontecer, tanto Spielberg quanto Will Smith brinquem de se arriscar no topo da montanha. É assim que grande obras com grande alcance acontecem.


Abaixo um poster fantástico do filme (pra quem viu não tem com não achar graça)




E o absurdo trailer americanizado.


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Tchau, Michael Crichton


Mais uma pro obituário.
Faleceu Michael Crichton, de câncer, uma espécie de Shakespeare contemporâneo (claro que pela difusão da obra, não pela qualidade), teve mais de 15 livros adaptados ao cinema, entre eles Jurassic Park, Linha do Tempo, Esfera, Assédio Sexual, entre outros e a série de TV "E.R." também. Alguns bons filmes outros nem tanto. Mas para um escritor ter uma receita de 20 milhões de dólares por ano, tem que tirar o chapéu.
Saudades da empolgante sensação que tive no cinema ao ver dinossauros criarem vida e atacarem humanos.
Foi um dos responsávei por eu nunca deixar de curtir cinema pipoca.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

O Último Dragão!

A notícia bombástica do dia! O Omelete diz que A Columbia Pictures vai refilmar o cult clássico "sessão da tarde" de 1985, O Último Dragão. E adivinha que vai ficar no lugar do finado Julius Carry III, o eterno Sho 'Nuff, o shogun do Harlem?



Claro, Samuel L. Jackson.

"Sou um grande fã do original e não vejo a hora de trazer o Sho 'Nuff para o século 21", disse o ator no comunicado oficial. Ainda não há um ator escalado para viver o herói Leroy Green. Dallas Jackson adapta o roteiro e produz o filme, ao lado de RZA, rapper do Wu-Tang Clan.

A premissa continua a mesma: "Bruce" Leroy é um jovem estudante de artes marciais que tenta sobreviver nas ruas de Nova York enquanto luta para alcançar o nível máximo, luta para ser o último dragão. O problema é que no caminho está Sho 'Nuff, seu diabólico penteado, suas roupas transadas e seus punhos que brilham.

Espere também muita música, como no original. Isso porque a Davis Entertainment (dos filmes de Resident Evil), que produz o filme para a Columbia, quer que O Último Dragão ajude a promover o aniversário de 50 anos da lendária Motown.

Aqui um trecho do clássico.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

And the Oscar goes to...


Segundo o Almanaque Virtual o filme Wall-E pode ser ser um dos candidatos a categoria de melhor filme no Oscar, pelo menos é o que pretende a Disney. Esta semana, a major iniciou uma campanha para levar a história do robô abandonado e responsável pela limpeza do planeta Terra para a disputa.

O Oscar de melhor filme nunca foi vencido por uma animação. Somente A Bela e a Fera, da Disney, conseguiu concorrer ao prêmio em 1991. A categoria animação foi criada em 2001 justamente para premiar os filmes desse tipo.

É claro que Wall•E pode ser indicado à melhor filme e melhor animação. No entanto, se ganhar na primeira, dificilmente os membros da Academia votarão nele na segunda.

Estamos em outubro e não surgiu nenhum filme tão bom quanto. Pelo menos dos que vi aqui no fim do mundo cultural.

Acho que rola.